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Nunca nem vi

postado em 26/09/2018
Nunca nem vi
Foto: Pedro Coelho

***Daniel Brandão

 

Uma das coisas mais estranhas e mais engraçadas que se tem em Parintins, é uma coisa carinhosamente conhecida por “ex”. É uma putaria só. Vejamos: a terra dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido – novamente repito: em terra de boi, quem tem chifre é rei – é, cá entre nós, pequena. Na verdade, uma ilha, e por isso, não é grande surpresa todo mundo se conhecer, e todo mundo se pegar, e todo mundo pegar o “ex” ou a “ex” do fulano, do ciclano e do beltrano. Chega a ser engraçado, admito.

 

Para piorar a situação, todo “caboco” bom, gosta de novidade. Sim, novidades. E em Parintins, uma grande novidade foram as redes sociais. De lá pra cá, perdemos a conta de quantos “popzinhos”, “blindados”, “arlequinas”, e “tal de...” surgiram em Parintins. Esse foi o auge. Desde as “Famílias” as “Equipes”. E foi uma pegação só. As redes sociais, de fato, facilitarem o acesso as novidades, melhor dizendo, as pessoas.

 

Lotaram-se as praças, lotaram-se as barraquinhas de açaí – e a cada casal novidade que surgia, uma outra barraquinha de açaí surgia em outro canto da cidade –, lotou-se o porto de Parintins, lotou-se o escurinho (matinho) de frente à Igreja do Sagrado Coração de Jesus, lotaram a Digital, lotaram os motéis, matéis, e todo lugar novo para “dar uma”. E assim a cidade foi ficando cada vez menor, não de tamanho, mas de lugares para pegação.

 

Deus nos drible disso.

 

O mais engraçado em tudo isso, seria o movimento de rotação. Não se trata de uma teoria ou um teorema que explique como tanta gente consegue se pegar, se deixar e pegar outros em pouco tempo – tão pouco tempo. O movimento de rotação, é simples, e bem explicado nas redes sociais – lá há vários exemplos. Quando em Parintins um relacionamento começa, surgem os olheiros (talaricas), meninos e meninas que estão esperando que logo termine para dar em cima – as vezes, o relacionamento nem precisa terminar para estarem em cima, só basta ter começado –, quando termina, eles caem de boca em cima, literalmente. E assim vai, logo outro relacionamento começa, termina, dão em cima, pegam, se deixam, e partem para outra. Depois, tudo o que vemos são os posts nas redes sociais dizendo:

 

- Nunca nem vi.

 

Fotógrafo, repórter, repórter fotográfico e graduando em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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